quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Alteração hormonal provoca ganho de peso em trabalhadores noturnos

Mudança de turno deixa trabalhadores predispostos a comer mais, ganhar peso e desenvolver síndrome metabólica.

Um novo estudo realizado por cientistas brasileiros sugere que trabalhadores noturnos apresentam alterações em funções hormonais que podem deixá-los predispostos a comer mais, ganhar peso e desenvolver síndrome metabólica - um conjunto de fatores de risco cardiovascular que inclui hiperglicemia, hipertensão arterial, obesidade e aumento da circunferência da cintura.

A literatura científica internacional já demonstrava que os trabalhadores noturnos têm mais tendência ao ganho de peso, além de maior risco de apresentar doenças cardiovasculares e outros indicadores de síndrome metabólica.

Mudanças de comportamentos alimentares associadas ao trabalho noturno - incluindo aumento do valor calórico e variações no horário e número de refeições - têm sido apontadas como a mais provável explicação para esse fenômeno.

Estudando os mecanismos biológicos que poderiam estar por trás das mudanças comportamentais, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriu que os trabalhadores noturnos apresentam alterações em funções hormonais estomacais que regulam a saciação - a sensação de estar satisfeito após a refeição -, o que pode levar ao ganho de peso.

O estudo foi coordenado por Bruno Geloneze Neto, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. “Nossa conclusão é que a função hormonal estomacal de regulação da saciação sofre alteração nas pessoas que trabalham à noite”, disse Geloneze.

De acordo com Geloneze, o estudo foi realizado com um grupo de 24 mulheres, sendo 12 trabalhadoras do turno da noite e 12 trabalhadoras do turno do dia do Hospital das Clínicas da Unicamp. Todas elas tinham índice de massa corpórea entre 25 e 35.

“Estudamos os mecanismos hormonais ligados à saciação e não as diferenças comportamentais. Tomamos o cuidado de trabalhar apenas com pessoas do mesmo sexo, com padrões semelhantes de peso, de atividade física e de condição socioeconômica e cultural, a fim de observar as diferenças relacionadas à variável do turno de trabalho”, disse Geloneze.

Segundo Geloneze, a literatura internacional aponta que os trabalhadores noturnos têm mais riscos de ganhar peso e desenvolver doenças cardiovasculares, associando esse fenômeno a um aumento do consumo calórico.

Mas, até agora, os estudos não haviam desvendado se esse aumento ocorria devido ao estresse causado pela quebra do ritmo biológico ocasionada pela vigília no período noturno ou por um fator de ordem puramente comportamental: como se a falta de estímulos no período noturno levasse a pessoa a comer mais - o que os cientistas suspeitam ser um mito.

“Fomos investigar um aspecto sobre o qual não há dados na literatura: como se comportam os hormônios gastrointestinais que controlam a fome e a saciação. Alguns estudos mostram que existe uma alteração nos níveis de leptina - um hormônio relacionado ao grau de adiposidade - nos trabalhadores noturnos. Mas não se sabia se a leptina se alterava como consequência do ganho de peso ou se era sua causa”, explicou.

As voluntárias foram submetidas a um teste de alimentação padrão, que consiste na ingestão de 515 calorias, com uma dieta hiperproteica e hiperlipídica. As trabalhadoras noturnas foram testadas durante o dia, em jornadas de folga. As trabalhadoras diurnas foram testadas no horário normal.

“Depois da alimentação, estudamos por três horas a produção de insulina e de três hormônios GLP-1 e PY-B36 - ambos com ação anorexígena -, de grelina, um hormônio produzido no estômago e que estimula a fome, e de xenina, hormônio que inibe a fome”, declarou.

No padrão normal de alimentação, pouco antes da refeição, os níveis de grelina se apresentam altos, enquanto os outros três hormônios apresentam níveis baixos. Depois da refeição, por um período de três horas, o GLP-1, PY-B36 e xenina aumentam e a grelina é reduzida.

“Nos indivíduos que trabalham à noite, os padrões de GLP-1 e de PY-B36 se apresentavam semelhantes ao das trabalhadoras diurnas. Mas identificamos uma alteração na produção de grelina entre as trabalhadoras noturnas”, disse.

Normalmente, segundo Geloneze, após a refeição a produção de grelina cai abaixo dos níveis basais. Entre as trabalhadoras noturnas, não houve supressão da grelina depois da alimentação.

“Outra diferença que observamos ocorreu em relação à xenina. Esse hormônio normalmente aumenta após a refeição, contribuindo para a saciação. Mas nas mulheres que trabalham à noite a produção de xenina não subiu”, disse o pesquisador.

Do ponto de vista clínico, houve uma diferença discreta na quantidade de calorias ingeridas, de cerca de 10%. As trabalhadoras noturnas, apesar de terem o mesmo padrão de índice de massa corpórea das outras, tinham também um pouco mais de concentração de gordura no abdome.

“Quando falamos de tratamento da obesidade, precisamos levar em conta que as condições das pessoas são muito heterogêneas e uma abordagem terapêutica única pode ser ineficiente. Agora sabemos que para os trabalhadores noturnos seria preciso ter terapias focadas nesses mecanismos subjacentes, como, por exemplo, drogas que modulem a produção de xenina e grelina”, afirmou.
 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Obesidade atinge 15% das crianças no País (31/10/2011)

Avaliado como epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), excesso de gordura na infância aumenta chances de vida adulta com problemas de saúde

Falta de atividade física e alimentação inadequada. Esses são os grandes responsáveis pela obesidade infantil, condição que se caracteriza pelo excesso de peso nas crianças brasileiras e pode provocar o surgimento de problemas de saúde como diabetes, infecções respiratórias e de pele, problemas cardíacos, excesso de gordura no fígado e má formação dos ossos. “As crianças ganham peso principalmente por terem mal hábitos alimentares e estilo de vida sedentário. Só para se ter uma idéia, quando uma criança come um pacote de biscoitos ela ingere, em média, o equivalente a uma refeição completa, tratando-se de calorias. Porém, ficam muito a baixo do necessário em nutrientes e vitaminas para um crescimento forte e saudável”, explica o médico Giuliano Antonelli.
Outro problema grave causado pelos quilos a mais está no impacto na auto-estima, principalmente se levarmos em conta que 30% das crianças obesas em idade pré-escolar tem 30% de chances de virar um adulto acima do peso. “Isso acontece com certa freqüência pois não temos o hábito de reeducar nossa alimentação. O papel dos pais está em fornecer alimentação balanceada para os filhos, com frutas, verduras, legumes, carne, leite e, claro, desde que seja moderado, doces, sorvetes e frituras”, comenta. “Não se deve privar a criança de comer o que ela gosta, mas deve-se impor limites”.
A falta de atividade física também é um fator importante para o desenvolvimento da obesidade infantil. A criança sedentária tem o dobro da probabilidade de se tornar obeso na fase adulta. Não só no Brasil, mas nos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, a obesidade infantil vem crescendo ano após ano. Segundo o Ministério da Saúde de Portugal, 31,5% das crianças de 7 a 9 anos tem excesso de peso e 11,3% são obesas. Com base nos crescentes números, a Organização Mundial de Saúde (OMS), classifica hoje a obesidade infantil como epidemia que traz conseqüências a longo prazo, principalmente doenças cardiovasculares.
“Não é só dentro de casa que há o estimulo para a crescente quantia de crianças acima do peso. Nas escolas, o poder público, seja Estadual ou Municipal, precisa se preocupar com a qualidade da alimentação que é oferecida e realizar um controle nutricional. Para muitas crianças, essa é a primeira e mais importante refeição do dia e precisa ser equilibrada para sustentar e dar energia, sem exageros em gorduras, frituras, açúcares e sal”, enfatiza o endocrinologista.
A reeducação alimentar fica mais fácil com acompanhamento médico e de nutricionista para crianças que estiverem muito acima do peso. Também é importante estimular os pequenos a praticarem esportes, fazer academia ou realizar caminhadas, desde que de modo correto e sempre orientada por um profissional. Quanto antes se começar o controle, antes iremos diminuir o índice da obesidade infantil em milhões de brasileiros.
“Uma dica para evitar a obesidade infantil é que as crianças tenham alimentação colorida e com horários regulares, evitando longos períodos sem alimentação. Os lanches da tarde devem conter leite, frutas, cereais e beber bastante água para manter o corpo sempre hidratado. Devem ser evitados alimentos gordurosos, lanches tipo fast-food, salgados, frituras e refrigerantes”, destaca.
 
Fonte:  A Tribuna 


Retirado do site: http://www.confef.org.br/extra/clipping/view.asp?id=130
 

Hidroginástica "2.0" ajuda a evitar risco ligado à osteoporose (1/11/2011)

Pesquisadoras da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) apresentaram na última semana um estudo sobre uma forma diferente de hidroginástica. Batizada de HidrOS, ela combina exercícios de força, resistência e equilíbrio, que mostraram bons resultados para prevenir danos ligados à osteoporose.

A prática da hidroginástica oferece baixo risco de lesões. Mas estudos sobre o impacto da hidroginástica convencional sobre a osteoporose são pouco conclusivos, além de não levarem em conta a incidência de quedas.

Na osteoporose, ocorre a uma perda de cálcio dos ossos. Com isso, qualquer queda traz risco de fraturas graves --daí a importância de exercícios que fortaleçam o osso e melhorem o equilíbrio.

Na pesquisa da Unifesp, dois grupos de 44 mulheres na menopausa foram comparados antes e depois de um período de seis meses. O grupo controle não fez atividades físicas regulares. O outro fez uma hora de exercícios na piscina, três vezes por semana. Ambos os grupos receberam suplemento de cálcio e vitamina D.

A HidrOS é uma hidroginástica de alta intensidade. Consiste em movimentos "mais rápidos e mais intensos em menos tempo, só usando a resistência da água ao próprio corpo", explica Linda Moreira Pfrimer [CREF 000199-G/GO], coordenadora do estudo.

O segredo, diz ela, é pouca repetição e muita carga, ou seja, máxima velocidade de movimentos na água, o que fortalece ossos e músculos.

Não houve mudança no grupo controle. Já o grupo que fez a HidrOS apresentou aumento na força do quadril, nos músculos da coluna e na preensão manual.

Antes, 40 mulheres tiveram quedas. Depois de meio ano se exercitando, só dez caíram. "Idoso não precisa de exercício de repetição. Precisa de carga em tempos curtos, que gere força para melhorar o equilíbrio e fortalecer o osso", diz Pfrimer.

 

CREF4/SP promove palestra sobre prescrição de exercícios para diabéticos

O CREF4/SP está com inscrições abertas para a próxima palestra de seu programa "Ciclo do Conhecimento": em 26 de novembro, Pedro Bortz (CREF 002105-G/SP), Ricardo Zanuto Pereira (CREF 008603-G/SP) e Luiz Américo Bravo (CREF 001680-G/SP) vão ministrar palestra sobre o tema “Diabetes: Bases Metabólicas, Comprometimento Cardiovascular e Prescrição”. As palestras do Ciclo acontecem aos sábados, das 8h às 12h, no auditório do Conselho Regional, que tem capacidade de 80 lugares.
Podem se inscrever profissionais registrados no CREF4/SP que estejam em dia com suas atribuições estatutárias, que deverão contribuir com dois quilos de alimento não perecível - leite em pó, arroz ou feijão -, entregues no ato de credenciamento, no evento. O material coletado será doado a uma entidade filantrópica.

Publicada em: 24/10/2011 às 12h22m
Autor: Comunicação - CONFEF